segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Liga dos Campeões


A primeira-mão dos oitavos de final da champions foi uma típica jornada de futebol: confirmaram-se “certezas” e surgiram surpresas. Houve espectáculo e houve pragmatismo. Houve golos mágicos e frangos.

Em primeiro plano surgia claramente o apelativo Barcelona – Liverpool. A vitória por 2-1 do Liverpool foi uma surpresa. Não só pelo resultado em si mas também pelo futebol praticado pelas equipas. Um Barça ainda com poucas ideias, refém de Eto´o, produziu uma exibição bem melhor dos que as que vinha realizando na Liga. Ainda assim 2 crassos erros defensivos (Valdés e Marquez) custaram muito caro aos blaugrana que têm tarefa difícil mas muito longe de ser impossível.

Outro jogo muito aguardado era o Real Madrid – Bayern. Dois colossos em crise queriam mostrar sinais de vida. O resultado foi um grande show de futebol com 5 golos pelo meio. Ainda assim o resultado de 3-2 não parece animador para os Galácticos que vão na segunda mão ter pela frente não só o onze bávaro como o Inferno montado pelos adeptos alemães.

Em Milão, outro jogo interessante. Inter – Valência já se tinham defrontado 4 vezes nos últimos 4 anos. O Inter havia levado sempre a melhor. Contra as expectativas o Valência conseguiu o empate quando o objectivo passava unicamente por sair vivo do Meazza, tal como afirmou Quique Flores (técnico do Valência). Creio que está perfeitamente ao alcance do Inter atingir os quartos, principalmente depois do que se assistiu na última quarta-feira: um banho de bola com pouca finalização e dois golos memoráveis da formação Espanhola.

Já no Dragão o público da casa foi presenteado com um bom futebol por parte do Porto e dum pragmatismo típico do Chelsea. O empate a uma bola torna a segunda mão numa missão praticamente impossível para o Porto.

Lille e Manchester proporcionaram um jogo mórbido e polémico derivado ao golo de Giggs. Golo sujo mas legal. Para ganhar faz-se qualquer coisa. Atenção que o Lille não está morto! Em dia mau o Manchester faz de tudo e o Lille pode surpreender.

Celtic e Milan empataram a zero tal com Roma e Lyon. Com um resultado deste género tudo pode acontecer. E esperar para ver.

Por último um PSV – Arsenal que deu vantagem para os holandeses. Os de Koeman já de há uns anos para cá que são regulares nestas andanças e há dois anos foram afastados da final no último suspiro. Tenho para mim que seguirão em frente.

Na próxima semana tudo se desvendará. Faço votos para que haja um bom espectáculo e se não houver que ao menos passe o Barca o Inter e o Porto.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Sporting: Peseiro vs Bento


Esta semana foi recheada de controvérsias. Pinto da Costa e José Veiga, os “gangsters” do futebol português, estiveram em destaque. Mas não foram estes tubarões que me chamaram à atenção. Longe disso. O que realmente me cativou foi a troca de galhardetes entre Bento e Peseiro.

José Peseiro, um conhecido de todos os portugueses, entendeu por bem fazer uma semana de digressão pelos programas desportivos. Chorando aqui e picando ali, fez-se ouvir. Certo é que houve, como sempre, quem não gostasse das suas palavras.

O discurso de Peseiro assentou em duas ideias: primeiro a falta de apoio que teve da direcção e depois a comparação do “seu” Sporting com o de Bento.

Em relação à primeira questão sou obrigado a concordar com ele. Peseiro não conseguiu criar uma boa empatia com os adeptos. Ainda assim, adoptando uma postura cobarde, a direcção leonina nunca o defendeu publicamente. A falta de apoio e a ausência de um pulso forte no balneário levaram a sucessivos distúrbios entre treinador e jogadores. O maior erro de Peseiro foi ter aceitado continuar na época seguinte com as mesmas condições. Na mata real ficou notória a cobardia da direcção leonina. Os membros presentes abandonaram o estádio bem antes da hora, lançando Peseiro literalmente aos leões. Nesse âmbito podemos olhar para o exemplo do Benfica. Fernando Santos não tem qualquer apoio por parte dos adeptos mas a direcção está sempre com ele.

Quanto à beleza de jogo a questão é diferente. Bem sabemos que a equipa de Peseiro alternava entre o muito bom e o muito mau. O bilhete para Alvalade tanto podia ser uma ida ao futebol como ao circo. Pelo menos podia-se assistir à melhor pressão alta da europa (era o que o Peseiro dizia). Já Sporting de Paulo Bento é muito diferente. Apresentando um futebol pragmático e pachorrento este Sporting mostra-se alérgico ao espectáculo. Joga apenas para o resultado. Contudo os graves problemas ofensivos, a inexperiência e a irregularidade defensiva não permitem ao Sporting obter os frutos devidos.

Dois treinadores jovens. Bento ainda tem muito por mostrar. Peseiro já mostrou as suas semelhanças com Mourinho: amado por uns, odiado por outros. Quanto à pressão alta, Mourinho afirmou que não era entendido em culinária!!!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Taça de Portugal: Barco ao fundo


Mais uma eliminatória mais um surpresa! Após a derrota caseira do Porto frente ao Atlético foi agora a vez do Benfica cair aos pés do Varzim!

Quando Fernando Santos afirmou que a taça não servia para descansar jogadores os Benfiquistas ficaram certamente crédulos que nenhuma surpresa iria acontecer. Ainda assim, para calar os mais cépticos o engenheiro colocou em campo todo o seu arsenal frente ao Oliveira do Bairro. Para defrontar o Leiria voltou a colocar os “titulares”. Que aconteceu então para que na Póvoa o Benfica tenha alinhado com Beto e João Coimbra? Apesar da restante equipa permanecer, Fernando Santos tirou uma das pedras basilares da sua táctica, Petit, colocando em campo Beto. A equipa ressentiu-se disso.

Mas não foi aí que o Benfica perdeu o jogo. Dominando no primeiro tempo e assistindo no segundo os encarnados encontraram pela frente um guardião inspirado. O Varzim nunca conseguiu ser muito objectivo na frente mas chegou aos golos por intermédio de… Nelson! Primeiro com um auto-golo e depois com uma falta infantil e desnecessária, revelando inexperiência e imaturidade. O Varzim alcançou assim uma vitória justa. Não que tenha jogado melhor que o SLB, mas mostrou mais humildade. Perante a abismal diferença de qualidade dos plantéis o Varzim teve mais entrega e foi mais equipa. Quando assim é os pequenos, mesmo sem fazer uma grande exibição, merecem a vitória! Tal como o Atlético frente ao Porto ou o Sporting frente ao Inter.

Jesualdo não aprendeu. Após perder com o Gondomar na Luz, cometeu o mesmo erro e voltou a sucumbir perante um infra divisionário. Fernando Santos parecia ter percebido, pois já havia tido um dissabor ante o Torreense, mas pelos vistos não aprendeu a lição. Quem não vai na cantiga é Paulo Bento. Esse não inventa e cilindra os pequeninos!

Agora é acreditar. FORÇA BRAGA!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Internazionale: a Máquina de Mancini


Se há equipa que esta época tem espantado a Europa é o Inter. Com a ausência da Juventus e a penalização pontual do Milan cedo o Inter se apresentou como o principal candidato ao título italiano. A uma equipa já de si forte juntaram-se as estrelas Zlatan, Vieira e Crespo. Entraram ainda Maicon, Maxwell, Grosso e Dacourt. Contudo, os pupilos de Mancini continuavam a apresentar as mesmas deficiências que nas épocas transactas: lentidão de processos e defesa apática. Temeu-se o pior.

Início da época. Supertaça. Os Nerazurri, detentores do troféu, entravam no Meazza para reconquistar a taça tendo pela frente a Roma. Com tantos reforços de luxo os adeptos não podiam aceitar outro resultado que não a vitória. Certo é que em 30 minutos a formação romana gelou o estádio com 3 golos sem resposta. A classe e qualidade dos interistas veio então ao de cima e o Meazza assistiu a uma reviravolta épica. O Inter terminava assim vitorioso mas assustado por 4-3. (este jogo pode ser visionado através de um link na coluna da direita).

Apesar do início atribulado, a época tem-se revelado mágica para este Inter. Está em primeiro na Série A, nos oitavos da Champions e na final da taça, tendo já arrebatado a supertaça. As estatísticas não mentem. Em 21 jogos o Inter apresenta o registo inédito em Itália de 18 vitórias e 3 empates! Bateu ainda o recorde de vitórias consecutivas que vai já em 14! Como é possível tal registo? Como é que uma equipa não tem quebras de forma? A resposta é simples: o Inter não tem uma equipa. Tem DUAS.

Na baliza Júlio César tem-se revelado um autêntico muro elástico. Toldo tem assistido do banco às brilhantes exibições do brasileiro que já valeram pontos aos de Milão. À sua frente um quarteto defensivo onde a mescla entre a velocidade e o poder físico tem resultado em pleno. Na direita Maicon tem-se revelado um dos melhores jogadores da equipa. Na esquerda Maxwell há muito que encostou o Grosso, que está muito longe do que mostrou no mundial. No centro o recruta Córdoba e o gigante Materazzi formam uma dupla intransponível. No banco estão ainda o veterano Samuel e a revelação Burdisso, que tem feito inúmeros jogos a titular e leva já 5 golos esta época!

No miolo Mancini apresenta um meio-campo fechado à italiana. Ao poder de choque do pivot Viera, junta-se a técnica e a classe de Cambiasso e Zanetti. O eterno capitão joga agora mais à frente como interior direito. À frente destes 3 o maestro: Stankovic. Possuidor de uma técnica soberba e de uma meia distância assombrosa, o sérvio tem-se revelado uma das chaves do monstro. Também neste sector o Inter tem um banco de ouro. Começando por Figo, rei das assistências, Dacourt que se mostrou ao nível quando Cambiasso esteve 2 meses de fora, Mariano González, o miúdo Argentino, e ainda o pesadelo dos portistas Santiago Solari.

A tudo isto junta-se aquele que é, talvez, o melhor ataque do mundo. Zlatan acumula à sua ímpar técnica o portento físico. Crespo é sem dúvida um dos melhores finalizadores do mundo e o seu faro pelo golo é único. Adriano que passou por uma crise psicológica vem aos poucos recuperando e já leva 4 golos nos últimos 5 jogos. Se o Inter já está imparável o que fará com O Imperatore ao mais alto nível? A estes 3 junta-se o talismã Cruz. Quem acompanha a equipa sabe que este não é um patinho feio. Bem pelo contrário. Foi o melhor marcador da equipa na época passada mesmo não sendo titular. Esta época marcou golos em todos os jogos que alinhou, quase todos decisivos. Na bancada mora ainda um mago: Álvaro Recoba. O talento Uruguaio quase nem jogou esta época. Um luxo a que poucos se podem dar.
Vejamos os 2 onzes de luxo:

GR- Júlio César-------------------------------- GR-Toldo
DE- Maxwell-----------------------------------DE- Grosso
DD- Zanetti------------------------------------DD- Maicon
DC- Córdoba-----------------------------------DC- Burdisso
DC- Materazzi ---------------------------------DC- Samuel
MC- Vieira ------------------------------------MC- Dacourt
MD- Figo--------------------------------------MD- Mariano González
ME- Cambiasso--------------------------------ME- Solari
MAC- Stankovic--------------------------------MAC- Recoba
AC- Zlatan--------------------------------------AC- Crespo
AC - Adriano------------------------------------AC- Cruz

QUEM PÁRA ESTE INTER?